Clipes Gauchos

João de Almeida Neto

João de Almeida Neto – Musas, Floreios e Poetas

João de Almeida Neto – Musas, Floreios e Poetas

João de Almeida Neto - Musas, Floreios e Poetas De vez em quando, em floreios de milongas indomadas evoco noites passadas com a amante que ainda não veio; me entrego a esse devaneio como atravesso um labirinto onde me orienta o que sinto e avanço pelo que creio; eu acredito piamente que viemos de um mesmo parto – o tempo, o espaço, os astros, o peixe, o pássaro, a gente…; um parto sem precedente, nem tardio, nem prematuro, que impôs a luz sobre o escuro e o porvir sobre o presente; confio nos sentimentos dos confins da espécie ...

Vinho das Paixões – João de Almeida Neto

Vinho das Paixões – João de Almeida Neto

Vinho das Paixões - João de Almeida Neto Quando disfarço essa inércia de tear em movimento afino os fios da tua roupa a poesia desce versos em nós dois para depois virar milonga em tua boca o tempo vaza nas areias da lembrança pulsando acordes de esporas no silêncio em cada pêndulo que dita a hora grave quando o amor partido ao meio perde o senso quando eu bebo deste vinho das paixões e me embriago pelo som dos teus cristais em cada espelho eu me vejo menos velho e em cada ...

João de Almeida Neto – Por Una Cabeza

João de Almeida Neto – Por Una Cabeza

João de Almeida Neto - Por Una Cabeza De un noble potrillo Que justo en la raya Afloja al llegar Y que al regresar Parece decir: No olvidéis, hermano Vos sabés, no hay que jugar Por una cabeza Metejón de un día De aquella coqueta Y risueña mujer Que al jurar sonriendo El amor que está mintiendo Quema en una hoguera Todo mi querer Por una cabeza Todas las locuras Su boca que besa Borra la tristeza Calma la amargura Por una cabeza Si ella me olvida Qué importa perderme Mil veces la vida Para qué vivir Cuantos desengaños Por una cabeza Yo juré mil veces No vuelvo a ...

João de Almeida Neto – O Meu País

João de Almeida Neto – O Meu País

joão de almeida neto - o meu país Um país que crianças elimina; E não ouve o clamor dos esquecidos; Onde nunca os humildes são ouvidos; E uma elite sem Deus é que domina; Que permite um estupro em cada esquina; E a certeza da dúvida infeliz; Onde quem tem razão passa a servis; E maltratam o negro e a mulher; Pode ser o país de quem quiser; Mas não é, com certeza, o meu país. Um país onde as leis são descartáveis; Por ausência de códigos corretos; Com noventa milhões de analfabetos; E ...

As Razões do Boca Braba – João de Almeida Neto

As Razões do Boca Braba – João de Almeida Neto

As Razões do Boca Braba - João de Almeida Neto (Tem gente que não entende Que o macho, quando é bem macho, Nem que o mundo venha abaixo Não dispara e não se rende Essa é a gente que se ofende Com o meu ar de liberdade E por inveja, e maldade Das suas mentes macabra Batizam de boca braba Quem tem personalidade) Me chamam de boca braba Não sabem me analisar De gênio eu sou uma cachaça Mas de alma um guaraná Só não me péla com a unha Quem pretende me pelar E depois que ...

João de Almeida Neto – Definição do Grito

João de Almeida Neto – Definição do Grito

João de Almeida Neto - Definição do Grito Uma vez num outro estado me pediram a informação Porque é que no Rio Grande todo gaúcho é gritão Respondendo ao pé da letra já lhe dei a explicação São tradições do estado pra quem foi acostumado A gritar com a criação Eu me criei na campanha saltando de madrugada Obedecendo o patrão e pondo a tropa na estrada Quem quiser ver coisa feia é uma tropa estourada É aí que eu acredito que a gente não dando uns gritos Se perde ...

Tango do Meretrício – João de Almeida Neto

Tango do Meretrício – João de Almeida Neto

Tango do Meretrício - João de Almeida Neto Rasguei a certidão de casamento Finquei o braço na mulher Foi um gritedo vesti uma fatiota elegante Despachei duas amantes e me mandei pro chinaredo Não há lugar melhor que o meretrício No vício é que eu encontro meu papel Me enfrasco e canto um tango pras gurias Que eu sou filho de uma tia da empregada do gardel Desde guri eu nunca fui um bom sujeito Pois a falta de respeito sempre foi minha vocação Me lendo a mão uma cigana disse ...