Clipes Gauchos

José Cláudio Machado

José Cláudio Machado – Defumando Ausências

José Cláudio Machado – Defumando Ausências

José Cláudio Machado - Defumando Ausências Busquei o teu riso claro, Chamei por teu nome Mil vezes em vão, E muitos invernos Ao pé do borralho, Defumei ausências No fogo de chão. Gritei pela madrugada, Lá fora nem rastro De alguém pra escutar. Um dia uma estrela Cruzou a janela, Me dando notícias Que ias chegar. Passei vassoura Na sala do rancho, Enxagüei a cuia Pra te esperar E quando viestes Pra baixo do poncho, Mil sonhos antigos Comecei a cantar. E desde essa feita Não me reconheço, Nem sei se mereço Amar e sorrir. Mi'a pilcha de gala São os teus carinhos Que abrem caminhos Pra eu prosseguir José Cláudio ...

José Cláudio Machado – Batendo Casco

José Cláudio Machado – Batendo Casco

José Cláudio Machado - Batendo Casco Num trote fronteiro de atirar o freio Vou topando o vento, só por desaforo De ganhar a vida num gateado oveiro, Loco de faceiro, junto dos cachorros Pelo campo-fora, pelas campereadas, apresilho os olhos num florear lindaço De arrastar pra o toso as ovelha-mestra E tudo que não presta de arredor do rancho (Me pilcho bem lindo, tipo pro namoro Cabresteando as rugas deste amor bagual Que ao cambiar das léguas, vai boleando a perna Pra Santana Velha do Rio Uruguai) De sovéu bem curto, vamo meu ...

Pêlos – Jose Claudio Machado

Pêlos – Jose Claudio Machado

Pelos - Jose Claudio Machado Recrutando a potrada corro as varas da mangueira. No bate patas do campo, só ficam vultos e poeira! São gritos de bamo-cavalo toca-toca, êra-êra... Entre potros que amansei, Que sentei meu lombilho, Foram baios e ruanos, sebrunos e douradilhos, Já quebrei muitos tubianos, alazão, preto e tordilho, De vinagre até um negro, todos os pêlos eu encilho, Gateados e lobunos, zainos também domei, Um rosilho prateado em malacaras andei. Arrucinei um bragado, Um oveiro negro, um rosado Um chita, um branco ou melado. Um picaço pata branca, Que por sinal desconfiado, Especial ...

José Cláudio Machado – Cantar Galponeiro

José Cláudio Machado – Cantar Galponeiro

José Cláudio Machado - Cantar Galponeiro Meu verso é rio de águas claras correndo para o remanso É igual a um potro manso de andar garboso e faceiro Faz tempo que é meu parceiro pois é meu verso que acalma As penas da minha alma nas horas de desespero (O meu cantar galponeiro traz a marca da querência E aprova de uma existência cevada no mate amargo E quem aceita o encargo de campeiro cantador Sabe que é fiador da memória do seu pago) Quem não renega as origens ...

José Cláudio Machado – Chasque Pra Dom Munhoz

José Cláudio Machado – Chasque Pra Dom Munhoz

José Cláudio Machado - Chasque para Dom Munhoz Amigo Érbio Munhoz Meu chasque não tem floreios Eu uso bombacha larga E um chapéu de metro e meio Botas de garrão de potro Laço, pealo e gineteio E me sustento pachola Da serventia do arreio Por voltas que a vida faz Para açoitar um cristão Ando cortado dos trocos Freio e pelego na mão Sem um cavalo de lei Pra visitar meu rincão O nosso Caiboaté Grande Que trago no coração (A Tia Maria me disse Que tua tropilha é de lei E o José Rodrigues Ramos Confirmou quando eu pensei Em ...

Milonga Abaixo de mau Tempo – José Cláudio Machado

Milonga Abaixo de mau Tempo – José Cláudio Machado

Milonga Abaixo de mau Tempo - José Cláudio Machado Coisa esquisita a gadaria toda Penando a dor do mango com o focinho n'água O campo alagado nos obriga à reza No ofício de quem leva pra enlutar as mágoas Olhar triste do gado atravessando o rio A baba dos cansados afogando a volta A manha de quem berra no capão do mato E o brado de quem cerca repontando a tropa Agarra amigo o laço, enquanto o boi tá vivo A enchente anda danada, molestando o pasto Ao passo que descampa ...